Folheim for mobile


Relações Improváveis

Até onde podem duas pessoas chegar num relacionamento ?

Hoje em dia encontramos todo tipo e forma, desde os mais caretas até os mais obscenos. Mas qual o tipo ideal de relacionamento? O número de casamentos desfeitos só aumenta, sempre sob o argumento de que "tenho o direito de ser feliz", ou "vou à procura da minha felicidade". E a tal procura geralmente começa com velhas agendas, depois com as redes sociais, e finalmente com os já conhecidos aplicativos de paquera.

Faltam análises sobre o efetivo sucesso desses APPs, mas imagino que o índice de insucesso deve ser brutalmente maior que o contrário. As frustrações se acumulam e causam descrédito e introspecção dos usuários. Muitos acabam por se fechar e esperar por um "milagre", que dificilmente acontece. E a vida vai passando e as pessoas se relacionando amorosamente cada vez menos.

E depois voltam os fantasmas: retomar ex casamentos, ou tentar reviver antigos namoros ou velhas paixões de infância - as pessoas acabam por procurar histórias e terrenos já conhecidos e percorridos. Parece o caminho mais óbvio. A busca pelo novo não é tão fácil quanto vendem os filósofos dos novos tempos, vendedores de sonhos de felicidade e "soluções fenomenais". Geralmente autores de autoajuda que inundam de bobagens nossas já escassas livrarias.

O mundo dos cinquentões, que acho que é o mote deste artigo, está em crise! Teremos que reaprender à viver, sem as estruturas familiares conhecidas, sem os velhos hábitos e comodismos.

Para as mulheres, que geralmente ficam com os filhos, às vezes também acolhidas por familiares, parece ser mais fácil. Aparentemente a solidão é bem menor, talvez nem notem. Para os homens a coisa é mais complicada. Somos seres "carentes", necessitamos de companheiras, amigas, amantes, mães... Acho que precisamos de mães. Mas elas não nos entendem !

E depois surgem os percalços da idade: menopausa para elas, andropausa para nós, além de problemas "eréticos"... O tempo vai nos dizendo que a vida corre rápido e que temos que viver cada segundo com muita intensidade. Mas como estávamos de certa maneira acomodados, a vida intensa nem sempre está de acordo com o nosso momento.

Qual a solução ? Alguns gurus dizem que temos que nos encontrar primeiro. Certamente o mais sensato, mas a alma é muito mais complexa - somos seres de difícil compreensão. E a solidão dos homens acaba por prevalecer, e por isso que procuramos intensamente por uma companheira. Elas não entendem muito nossas necessidades, nem nós as delas, mas assim caminhamos, assim perseguimos a tão sonhada felicidade, que para muita gente poderia ser uma "casa pequenina, no alto da colina, onde a lua faz clarão!"

(Marcio Poletto - 55, é escritor e publisher na editora Samba Books)