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Mulher, verbo intransitável

Mulheres! O que sempre, nós homens, blasfemamos, até rugimos, quando não as entendemos, ou não as deciframos. Decifra-me ou te devoro! A verdade é que sempre somos devorados por elas.

Mas elas são mesmo indecifráveis ? Boa parcela dos raparigos, jovens, maduros ou mais idosos, dirão que são, sim, indecifráveis.

E talvez nos também sejamos de difícil compreensão para elas. E num mundo digitalizado como o que vivemos hoje, podemos afirmar que é mais fácil um relacionamento virtual do que arriscar-se em uma relação real com alto grau de possibilidade de fracasso e consequente frustração.

Casamentos dissolvidos, namoros desfeitos, solidão e individualismo é o que se vê aos montes nos dias atuais. E dá-lhe aplicativo no mercado. Pode-se escolher entre mais de cem, para todos os gostos: somente para encontros casuais, namoro sério, passeios, sexo casual, sexo tântrico, e por aí vai. As pessoas viraram cardápio das outras, fast food do amor. E do jeito que consumimos, somos consumidos.

E as decepções só aumentam, ao ponto de concluirmos que não há saída, aparente, para o encontro do parceiro perfeito. Somos seres em mutação. O mundo que viveram nossos pais e avós, dos relacionamentos sólidos, longevos, fidelidade em primeiro lugar, virou ficção científica. O individual se sobrepõe ao coletivo, ao grupo familiar.

Mas não vivemos sem as danadas, como sempre diz um velho amigo, "aquelas megeras", e como dizia um velho poeta: "sem tesão não há solução", então o negócio é seguir adiante, e lembrar sempre do macaco: "não precisa explicar, eu só queria entender".

Mulher, ser altamente atraente, volátil, vibrante, indefinível, indecifrável, mas concluo com um lamento, um verbo intransitável !

(Marcio Poletto - 55, é escritor e publisher na editora Samba Books)