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Eu e Fidel

E lá se foi “El Comandante”. Fidel Castro foi um dos ícones do século 20; para o bem ou para o mal, morreu um dos últimos estadistas dos anos de chumbo do planeta Terra.

Cresci lendo e absorvendo quase tudo sobre a Revolução Cubana. Tinha Fidel como um dos heróis do meu subconsciente, aquele que ousou enfrentar Tio San, praticamente no seu quintal, e ganhou a parada. Não com armas, nem com guerra, mas na diplomacia, na inteligência e no jogo de xadrez que é o poder. Cuba antes de Fidel era o bordel, literal, dos EUA. Depois da Revolução, se não havia dinheiro pelo menos havia dignidade, havia um sistema educacional verdadeiramente revolucionário. Havia um sistema de saúde preventiva praticamente inigualável até hoje. E havia a história, de um bando de malucos, que cansados de tanto ser tratados como lixo, foi ver o que dava, e deu, buscando a utopia da igualdade.

O mundo mudou, as ideologias caíram, ou se transformaram em pragmatismo econômico e social, a chamada globalização. Fidel poderia se transformar em ídolo pop se tivesse a ambição de sair da vida pra entrar na história. Não quis, e seguiu adiante com seu objetivo, que de repente se transformou em pesadelo puro e simples. Mesmo com um sistema falido, que já demonstrado por A + B não passa disso, um sonho, Fidel se manteve ereto e no rumo que construiu para sua Ilha, consciente da sua importância, e eventualmente consciente também de que deveria ter parado com tudo em algum momento do século 21.

Mas sempre existiu alguma coisa de poético no comunismo “a la Fidel”, alguma coisa de pureza na alma, que hoje pode soar até ridícula perante toda esta loucura que assola o mundo. E até nisso Fidel foi diferente. Não apenas no marketing, não apenas no carisma ou no seu modo implacável de caçar os seus inimigos. Fidel, até o fim, acreditava que podia unir as pessoas em torno de interesses comuns, para o bem de todos. Logicamente sabemos que isso não aconteceu, e talvez nunca aconteça. Mas ele acreditava, ah, acreditava.

(Marco Clerris - 51, foi redator publicitáro e atualmente é consultor de negócios no setor imobiliário, em Jundiaí, SP.)