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O Povo

Na minha vida, a frase do gigante Winston Churchill que “aos 20 anos é impossível você não ser de esquerda. Aos 40, é inconcebível você não ser de direita”, ainda é uma coisa que me deixa dividido.

Mas nesta polarização atual do Brasil, entre coxinhas e mortadelas, ricos e pobres, vermelhos e amarelos, um dado talvez passe despercebido entre outros: segundo a ONU, entre 2011 e 2015 o País teve quase 289 mil mortes violentas. Para comparação, a Síria, que vive entre uma guerra civil e o Estado Islâmico, teve “apenas” pouco mais de 258 mil mortes no mesmo período. Realmente, aquela imagem de país pacífico, onde imperam mulheres bonitas, Carnaval e caipirinha, gente boa e divertida, está ficando cada vez mais desbotada.

Mas não foram só assassinatos, latrocínios, estupros seguidos de morte, troca de tiros entre policiais e traficantes. Nesta estatística entra também entram centenas de mortes a gays, homens ou mulheres. Entram também crimes de pessoas sem passagem pela polícia, por simples discussões religiosas ou, pasme, futebolísticas!

Um grande amigo meu, baiano de Salvador, Armando Grisi, espiritualizado ao extremo e analista profundo, e divertido, do modo de vida da gente, diz que o “Brasil é um país de aparências, vive de fachada pra inglês ver”. Pra ele somos, sim, preconceituosos em todos os níveis: sexuais, religiosos, intolerantes com as diferenças e por isso mesmo, quando todo o raso debate se encerra, partimos para o confronto e a violência pura e simples.

Diferentemente dos EUA, onde o racismo e a intolerância são vividos às claras, e pelo menos por isso geralmente você sabe de onde vem a porrada, aqui não. Tudo é feito de forma velada, por baixo dos panos. Por isso as surpresas sociais são grandes.

No minha ótica não existe nada melhor para o crescimento humano e cultural do que o debate de ideias diferentes da nossa, em todos os níveis da sociedade. Mas isso é uma coisa para mais tarde; primeiro a gente tem que conseguir que o brasileiro médio consiga ler, escrever e entender a nossa própria língua.

(Marco Clerris - 51, foi redator publicitáro e atualmente é consultor de negócios no setor imobiliário, em Jundiaí, SP.)