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No país não olímpico

Não tem jeito. Entra Olimpíada, sai Olimpíada e os discursos são os mesmos: melhor participação da história, resultado excelente, nas piscinas, fato histórico, deu o meu máximo e consegui o que desejava, e por aí vai. O resultado prático disso tudo é que estamos nos acostumando a se contentar com 7ºs e 8ºs lugares, semi-finais, passagens da primeira fase e outras “consolações”.

As medalhas praticamente vêm sempre daqueles esportes que são tradicionais, já estão em evidência e ganham as maiores verbas. Fora disso, tudo é muito difícil, tudo é muito improvisado e as conquistas passam exclusivamente pelo esforço individual e familiar de cada um. Assim é o Brasil olímpico.

Já que a gente gosta de copiar muita coisa de fora, por que não copiar exemplos também para a massificação do esporte como um todo. Por exemplo, nos EUA (sempre eles, que saco!), está no currículo educacional que anualmente TODAS as escolas no ensino entre 5ª e 8ª séries são obrigadas a fazer uma triagem durante três meses para descobrirem crianças com alguma aptidão para o esporte em 10 modalidades diferentes. Como é um programa nacional, desta quantidade enorme de crianças geralmente sai algumas centenas que tem jeito para alguma coisa. Daí se começa a lapidar cada uma delas no esporte que mais gostam. Por isso a cada novo ciclo olímpico aparecem tantos americanos novos ganhando medalhas. O custo é relativamente baixo e a fórmula é de uma singela simplicidade.

Além do que, já está mais do que comprovado que o esporte ajuda na cognição, na saúde, bem estar, tira da marginalidade, forma cidadãos melhores, etc. Somos o país em que proporcionalmente investe em educação mais do que a Alemanha e Inglaterra juntas. Mas o que explica o nosso aproveitamento tão baixo nos esporte em geral? Um dos motivos, claro, é que muito do dinheiro investido não chega onde tem que chegar. Mas não é só isso, tem que ter interesse, motivação política e patriotismo envolvidos. E todos nós sabemos que nos últimos 500 anos estes artigos andaram em baixa aqui no Brasil.

Por isso, a cada Olimpíada eu acredito mais e mais que somos realmente o país do...futebol, e olhe lá!

(Marco Clerris - 51, foi redator publicitáro e atualmente é consultor de negócios no setor imobiliário, em Jundiaí, SP.)