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O lado bom da crise

E a crise chega! Rápida, violenta e mortal. E de repente você se vê duro, as perspectivas ficam nubladas, as bombas-relógio começam a explodir à sua volta e você começa a não saber direito pra onde correr; começa a vender o almoço pra comprar o jantar, latir pra economizar cachorro.

Mas no meio desta tempestade perfeita que assola a minha, a sua e a vida de um país inteiro, algumas coisas boas começam a aparecer para aqueles que acreditam que nem toda Lei de Murphy é uma verdade absoluta. E você aprende a ter esta visão de mundo. Na marra, mas aprende.

Por exemplo, a crise ensina que nosso banho era longo demais, que ao escovar os dentes não precisamos gastar tanta grana assim com a água que escorre da torneira aberta. A crise mostrou também que aqueles sapatos, ainda em bom estado, podem perfeitamente servir em todos os momentos. Até a profissão de sapateiro, antes às vésperas da extinção, renasceu, e com força total. A de costureira então é um fato. As reformas naqueles trocentos vestidos que sua esposa tinha e nas calças que você estava louco pra jogar fora, agora podem e devem ser feitas sem que isso afete seu ego. Sabe aqueles discos de pizza pré-assados que antes a gente desdenhava no supermercado? Então, virou moda, um “must” culinário em tempos que a conta da pizzaria já está passando dos três dígitos, fácil!

Sem contar o churrasco compartilhado, a aproximação com os vizinhos numa sessão de cinema regada a DVD e pipoca de microondas, a pisar menos no acelerador na hora daquela fechada, levar moedas quando precisa comprar pãozinho, o perfume do Boticário, a roupinha infantil passando do filho mais velho para o mais novo, e uma infinidade de lições, de coisinhas pequenas que nunca demos valor, mas que custavam caro pra caramba e a gente nem sentia. Com a crise aprendemos o valor real do dinheiro e a pensar se realmente precisamos ter tanta coisa pra ser feliz.

Uma frase de Donald Trump (que medo deste cara!) me chama atenção, mais do que seu cabelo cheio de laquê: “o bom de chegar ao fundo do poço é que qualquer movimento impulsiona você pra cima”. Uma outra frase de alguém não tão famosa mas muito mais importante, minha avó Alcina, dizia que “se você não aprende no amor, aprende na dor!”. Ambas, nos dias malucos de hoje, fazem cada vez mais sentido!

(Marco Clerris - 51, foi redator publicitáro e atualmente é consultor de negócios no setor imobiliário, em Jundiaí, SP.)